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Na teoria, quanto mais tempo juntos, melhor entendem um ao outro. Na prática, não é bem assim. O que explica, a essa altura da relação, ainda viverem discutindo por causa de bobagens? Hoje, o pivô é o jantar que ele esqueceu, amanhã o controle remoto que não deixa você falar... A culpa, segundo experts em relacionamento, é de maus hábitos tão enraizados que nem se dão conta de que existem. Aprenda a acabar com eles rapidinho para que a comunicação flua sem falhas.
Talvez vocês achem que sabem tudo um do outro. Mas mesmo o radar do casal mais sintonizado pode entrar em pane. "Muita gente tem péssimos hábitos de comunicação e não percebe", explica o terapeuta de casais Steve Stephens. "De tão sutis, não costumam causar problema na hora; com o tempo e a repetição, porém, podem pôr em risco a união do casal", continua esse psicólogo, autor de Lost in Translation: How Men and Women can Understand Each Other (algo como "Perdido na tradução: como homens e mulheres podem entender-se mutuamente"). Para escapar dessas falhas de comunicação, primeiro precisa reconhecê-las. Selecionamos as cinco mais comuns e perigosas. Seguindo os conselhos dos nossos especialistas, as conversas com seu amado nunca mais vão acabar em briga.
1 Informações pela metade
Você comenta com ele que pensa em chamar uns amigos para jantar na sexta, sem mencionar com exatidão onde será, a que horas e quem vai convidar. Aí, no dia, ele é apanhado de surpresa -"Jantar? Que jantar?", lança, com cara de inocente -, você fica louca da vida, reclama que falou com as paredes e fecha a cara.
"Já reparou que a maneira como os casais conversam entre si é muito diferente de como conversam com os amigos?", avisa Stephens. "Por causa da convivência, pensam em si mesmos como uma única pessoa e não vêem a menor necessidade de falar tudo ex-pli-ca-dinho. Quando o parceiro ou a parceira não conseguem adivinhar o que ficou implícito, sentem-se ignorados, e os problemas começam."
Claro que vocês se entendem (ou deveriam se entender) melhor do que ninguém. Mas não confie demais nisso. Detalhe minuciosamente o assunto, como faria com um desconhecido. E quando ele falar de algum compromisso, por exemplo, tire todas as dúvidas. Se puder, também registre na agenda do computador ou do celular, aconselha outro psicoterapeuta preocupado com a má comunicação dos apaixonados, Barton Goldsmith, autor de Emotional Fitness for Couples (Boa forma emocional para casais).
2 Palavra errada na hora errada
Uma coisa que precisa entender: é praticamente impossível papear com um sujeito que está vendo televisão. Talvez imagine que pode aproveitar o fato de ele parecer disponível e calmo, mas está enganada. "A mente masculina não consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo", lembra Stephens. "Quando ele assiste a um programa, sua atenção se concentra no estímulo visual." Por outro lado, já deve ter percebido que seu amado tem o hábito de tocar em assuntos importantes quando você está no meio de um trabalho ou na internet. Não é que não se toque ou não dê a mínima. Pelo contrário, faz de propósito porque, como todo espécime masculino, não se sente à vontade falando sobre certos temas. Então, escolhe a hora em que está ocupada e não pode se concentrar apenas nele. Como é de esperar, o timing errado gera um bocado de confusão. A parte incomodada se aborrece e a que queria falar se sente rejeitada. Um bom plano de ação? A especialista em relacionamento Cara Gardenswartz sugere perguntar ao amado se a hora é boa para conversarem - digamos, sobre onde vão passar as férias. Assim, dá a ele a oportunidade de decidir se o papo é urgente ou pode esperar. E cria no rapaz o hábito de ter a mesma atitude. Agora, se não puder esperar por uma decisão dele, o momento ideal para falar sério é quando estiverem envolvidos em atividades que não suguem máxima atenção nem contato visual - por exemplo, passeando ou cozinhando porque estarão também mais relaxados.
3 Nuvem negra no horizonte
Na tentativa de preparar o espírito do amado, muitas mulheres iniciam a conversa avisando logo: "Você não vai gostar disso, mas..." O efeito é o oposto do pretendido, alerta Cara. Em vez de acalmar, só aumenta o stress e coloca o namorado ou marido na defensiva. Por que agimos assim? Porque faz parte da psicologia feminina preparar o terreno, mesmo quando não se trata de um problema tão grave. Só que, aos ouvidos masculinos, os avisos bem-intencionados os deixam de pé atrás e irritados com a mensageira das possíveis péssimas novidades - você. Em vez de levar o infeliz à beira de um ataque cardíaco com um "Prepare- se para a bomba", tente uma abordagem mais light, como: "Sei que não vai ser nenhum programão, mas nãoesqueça que no fim de semana é a festa de 80 anos da vovó, tá?" A reação dele será mais positiva, mesmo que não se entusiasme muito.
4 Histórias sem fim
É frustrante: você está empolgada, contando algo que aconteceu, e percebe o olhar dele distante. O motivo: o que seria para suas amigas um papo cheio de detalhes incríveis chega aos ouvidos de seu homem como uma interminável enxurrada de palavras. Resumindo: ele não foi equipado pela natureza para assimilar e apreciar minúcias. "Conte com a total atenção de um homem por cerca de três minutos", diz Stephens. "Depois disso, ele entrará em 'modo de espera'." Há duas maneiras de resolver o problema. A primeira: ter em mente que seu querido não consegue manter a concentração por muito tempo. A segunda: trazê-lo de volta fazendo perguntas de vez em quando isso o obrigará a prestar atenção na conversa. Pode também tocá-lo na perna ou no braço: o contato físico funciona como "despertador".
5 Falta de limite
A honestidade é ótima, mas em certas circunstâncias dispensável. Por exemplo: se você não quer ouvir que um vestido a engorda. "Os casais cometem o equívoco de pensar que um precisa saber tudo sobre o outro, não ter segredo", alerta Stephens. "Costumo chamar de honestidade temerária essa mania de dar informações que atrapalham em vez de ajudar." E isso inclui as frustrações mútuas do casal. Às vezes, trazer à tona certos problemas só serve para insultar a pessoa amada. Melhor deixar paralá. E daí que ele insiste em usar aquela camisa horrorosa (ou seja lá o que for)? Um dia, vai enjoar dela ou ficará velha. Vale mais concentrar-se no bem maior: uma relação em que vocês saibam o que realmente interessa um do outro. Apenas isso.