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Pesquisa mostra que mulheres consomem cerveja como os homens

Duas amigas freqüentadoras de bares de Rio Claro acreditam que o empate é conseqüência da evolução social
     A revolução sexual, fortalecida a partir da década de 60 com a ampliação do papel feminino na sociedade, acaba de estabelecer um novo quesito de igualdade entre homens e mulheres, pelo menos no estado de São Paulo: o consumo de bebidas alcoólicas.
     Segundo pesquisa da Secretaria Nacional Antidrogas e da Universidade Federal de São Paulo, divulgada na última semana mostram que não há diferença estatística no consumo de cerveja entre os gêneros: 62% dos homens e 58% das mulheres consomem o produto. A pesquisa ouviu 3.007 pessoas.
     Freqüentadoras assíduas de barzinhos de Rio Claro, as amigas Clarice, 21 anos, e Virgínia, 22 anos, acreditam que a igualdade no consumo é apenas mais uma conseqüência na igualdade de direitos entre homens e mulheres: "Na época das nossas avós, trabalhar era um ato de rebeldia.
     Na época das nossas mães, beber era um escândalo, mas já era normal trabalhar. Então tudo é uma questão de evolução social", explica Virgínia.
     Sobre a pesquisa, elas são categóricas: "Não traz nada novo. Só confirma o que todo mundo sabe há muito tempo". Ambas solicitaram ao jornal que seus nomes fossem substituídos por fictícios, mas Clarice explica com bom humor o porquê: "Pra gente é normal beber, mas para nossas mães não, né?".
     Ela afirma que às vezes consome mais cerveja que seus amigos, mas que toma cuidado com os exagero: "Ficar bêbada demais e sair tropeçando é desnecessário, além de vexaminoso", explica.
     A pesquisa paulista mostra que entre os adolescentes, as garotas também não perdem para os rapazes - 53% dos rapazes declararam tomar cerveja, contra 50% das meninas.
     As duas não negam que começaram a beber cedo, por volta dos 14 anos, idade em que o consumo é proibido: "Faz parte da iniciação adolescente, é só mais um elemento dessa fase da vida. Infelizmente alguns exageram ou passam a consumir outras coisas em excesso", opina Clarice.
     A igualdade ente os gêneros também atingiu os dependentes do álcool. Há vinte anos havia uma mulher dependente para cada 10 homens. Hoje há uma mulher alcoólatra para cada três homens com o mesmo problema.
     Nos últimos três anos houve um aumento de 78% no número de mulheres paulistas que procuraram tratamento em unidades públicas de saúde, segundo o estudo.
     As diretrizes do Ministério da Saúde para a questão da dependência do álcool incluem, entre outras, a redução do consumo global e pessoal; mudança no padrão do uso nocivo entre jovens, onde o consumo excessivo contribui para situações de sexo desprotegido, acidentes de trânsito, além de ampliar as chances do desenvolvimento de dependência e outros danos à saúde.

Indústria quer mais mulheres bebendo

Ambev lança cerveja para público feminino que, nos últimos três anos, em São Paulo, registrou aumento de 78% no número de dependentes do álcool. Mulheres já bebem na mesma freqüência que os homens.
     Reportagem publicada na Folha de S. Paulo na segunda-feira (4/09), de autoria da jornalista Cláudia Collucci, dá conta de que o número de mulheres dependentes do álcool, que procuram tratamento, cresceu 78% nos últimos três anos no Estado de São Paulo.
     Os especialistas têm uma explicação unânime para esse comportamento: a mudança do estilo de vida da mulher, que a deixa sobrecarregada de trabalho e estressada. Mas o fenômeno preocupa: a mulher é mais vulnerável ao álcool e tem problemas mais cedo; e a indústria de bebida tem investido em propagandas para elas.
     Levantamento da Secretaria da Saúde indica que o número de mulheres socorridas nos Centros de Atenção Psicossocial passou de 17.816 , em 2004, para 31.674, no ano passado.
     Luiezemir Lago, do Centro de Referência de Álcool, diz que a oferta de serviços especializados, sem internação, mas ambulatorial, estimulou as mulheres a buscar ajuda.
     João Carlos Dias, da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, explica que a mulher ganhou o bônus da independência, por sua maior inserção no mercado de trabalho, mas também está arcando com o ônus.
     Sérgio Ramos, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas, explica que a maior incidência se deve ao fato de os efeitos do álcool nos fígados dos homens manifestarem-se em 15 anos e, nos das mulheres, em apenas cinco anos.
     A reportagem também apurou que as mulheres estão bebendo cerveja na mesma freqüência que os homens. Tanto é que a indústria de bebidas já vem produzindo propagandas dirigidas exclusivamente ao público feminino.
     A Ambev acaba de lançar uma cerveja (Porto) voltada para as mulheres – o que, para Sérgio Ramos, da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas, revela uma mesma preocupação: "Estão querendo agora ampliar o mercado em direção às mulheres jovens. E fazem propaganda enganosa. Mulher que bebe freqüentemente engorda, tem barriga, não tem a exuberância da TV".

Consumo moderado de álcool e risco de hipertensão em mulheres jovens

A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) está entre uma das importantes causas de morbi - mortalidade e configura fator de risco para doença arterial coronariana (DAC), doença cerebrovascular e insuficiência renal. 
     Estudos mostram relação direta entre consumo importante de álcool e HAS e que 3% a 8% dos casos de HAS nas mulheres seriam atribuídos ao consumo excessivo de álcool.
     Foram estudadas 70.891 mulheres com idade entre 25 a 42 anos. O tempo de seguimento foi de 8 anos.
     Os autores notaram que o consumo de álcool e HAS apresentaram um comportamento que se colocado em um gráfico exibiria uma curva em J (as mulheres abstêmias e as que têm consumo elevado possuem maior risco de desenvolver HAS do que as que apresentam consumo leve). O maior benefício do etanol mostrou-se naquelas com consumo leve.
     Os pesquisadores concluíram que o consumo de álcool e HAS em mulheres jovens comporta-se como uma curva em J, em que o benefício esteve presente naquelas que tinham consumo leve de álcool. A incidência de HAS aumentou conforme aumento do consumo.

Consumo de álcool durante a gravidez altera a função da tireóide

Para assegurar o desenvolvimento fetal normal, mãe e feto devem contribuir com níveis apropriados de hormônio da tireóide, em diferentes épocas da gestação. Caso contrário, pode resultar em defeitos no cérebro, alguns dos quais lembram aqueles encontrados em crianças sofrendo de síndrome alcoólica fetal (fetal alcohol syndrome - FAS).
     Devido a esses fatos em comum, alguns pesquisadores especulam que o álcool possa mediar defeitos de nascimentos relacionados ao álcool (alcohol-related birth defects - ARBDs) pela indução de condições de hipotireoidismo no útero.
     Um estudo publicado na edição de janeiro da Alcoholism: Clinical & Experimental Research, investiga se o consumo de álcool durante o período equivalente ao terceiro trimestre em ovelhas resulta numa alteração da função da tireóide fetal ou maternal.
     "O hormônio da tireóide exerce papéis importantes no crescimento, desenvolvimento e na função de outros hormônios e órgãos do sistema", explica Timothy A. Cudd, professor associado de psicologia na Texas A&M University e principal autor do estudo."
     No início do desenvolvimento, antes que o feto seja capaz de produzir o hormônio da tireóide, o hormônio materno atravessa a placenta para influir no desenvolvimento fetal. Num período posterior do desenvolvimento, quando maiores concentrações são requeridas para o desenvolvimento fetal normal, uma contribuição fetal é necessária para atingir as concentrações necessárias.
     Cudd e co-autores sabiam que as anormalidades do cérebro encontradas em crianças que foram expostas a concentrações anormalmente baixas de hormônio da tireóide durante o desenvolvimento fetal são similares às anormalidades cerebrais encontradas em crianças expostas ao álcool "in utero".
     "De um ponto de vista comportamental, crianças nascidas de mães com hipotireoidismo mostram pior performance em inteligência, atenção, linguagem, leitura e desempenho escolar quando comparadas com crianças nascidas de mães com função normal da tireóide.
     Essas deficiências são similares àquelas em crianças com ARBDs. De uma perspectiva anatômica, tanto o hipotireoidismo quanto a exposição fetal ao álcool afetam o desenvolvimento do hipocampo e do cerebelo". Conhecendo essas similaridades, os autores do estudo investigaram se ARBDs são, em parte, um resultado da disfunção do sistema de hormônio da tireóide devido à mediação do álcool.
     Os pesquisadores deram às ovelhas grávidas doses de álcool ou solução salina por três dias consecutivos, seguidos de quatro dias sem exposição, imitando um modelo de "bebedeira". Amostras de sangue fetal e materno foram coletadas nos dias 108 ou 132. "A administração de álcool às ovelhas durante o período equivalente ao terceiro trimestre de gravidez resultou em função alterada da tireóide em ambos, mãe e feto," disse Cudd.
     Segundo Catherine Rivier, uma professora de neuroendocrinologia/neurociência do Salk Institute, "a ovelha é um bom modelo para o humano porque o sistema da tireóide de ambas as espécies se desenvolve de forma similar durante a gestação.
     Esses resultados mostram-nos que o álcool dado a uma mãe grávida abaixa os hormônios da tireóide em ambos, no feto e na mãe. Esta descoberta dá aos pesquisadores a razão para realizar experimentos adicionais para verificar se estas alterações nos hormônios da tireóide participam em defeitos devido a álcool durante a gestação".
     Cudd acredita que as descobertas do estudo realmente sustentam a hipótese que o álcool possa intermediar ARBDs pela alteração da função da tireóide do feto e/ou da mãe. "Apesar disso, estudos adicionais são necessários para concluir que esse é o caso em humanos.
     Claramente, a abstenção do uso de álcool durante a gravidez é o caminho mais seguro. Entretanto, se nossas descobertas forem comprovadas para os humanos, então pode ser possível monitorar a função da tireóide e mesmo corrigir a função anormal da tireóide em mães para aliviar as ações do álcool no cérebro fetal".

Gravidez e Alcoolismo

Grávidas devem ficar longe de bebidas alcoólicas para evitar complicações para mãe e filho. Mas há mulheres que insistem no hábito.
     Em duas pesquisas feitas pelo enfermeiro Carlos Eduardo Fabbri, os dados assustam. Na primeira, que foi tese de mestrado na Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, 21,1% das 450 gestantes entrevistadas consumiam quantidades iguais ou superiores a 28 g diários de álcool, o equivalente a duas latas de cerveja.
     No segundo estudo de Fabbri, feito em Guariba, interior de São Paulo, 42% das grávidas superavam as duas doses de álcool por dia. Segundo a psiquiatra Ana Cecília Marques, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas, a medicina não pode assegurar uma dose mínima para as gestantes, pois os estudos sobre o efeito do álcool no bebê não apontam tal precisão.
     "O que se sabe é que o álcool consumido em excesso de forma contínua por gestantes é capaz de induzir más-formações e retardo mental no feto
     e causar a Síndrome Fetal Alcoólica, que, além de más-formações, provoca alterações principalmente faciais, retardo de crescimento e de maturação psicomotora e desenvolvimento intelectual diminuído . A cada ano, 12 mil bebês no mundo nascem com esse problema", diz ela.

Gestante bêbada dá à luz e filho nasce alcoolizado

VARSÓVIA - menina nasceu na Polônia com uma taxa de 1,9 gramas de álcool por litro de sangue, depois que sua mãe, uma alcoólatra de 29 anos, chegou bêbada para dar à luz a um hospital de Dabrowia Gornicza, no sul do país.
     A taxa da criança é mais que três vezes maior que o máximo permitido para motoristas, segundo a lei brasileira atual. Em estado muito grave, a criança, de 2,3 quilos, foi para a incubadora, enquanto a mãe, cinco horas depois do parto, registrava um índice de álcool de 1,5 gramas por litro de sangue.
     Tanto a mãe como o pai da recém-nascida, que também é alcoólatra e que hoje foi flagrado com 3,5 gramas de álcool por litro de sangue, foram colocados à disposição da Justiça. À polícia, ambos disseram que não sabiam que a ingestão de álcool durante a gravidez era prejudicial ao desenvolvimento do feto.
     Além disso, a mãe declarou que, durante todo o período de gestação, não se consultou com médicos nem se submeteu a exames. Um caso semelhante foi registrado no país durante o mês de julho, quando uma mulher de 37 anos, embriagada, deu à luz uma criança com 1,2 gramas de álcool por litro de sangue
     O alcoolismo é um problema em toda a Polônia, onde o consumo de bebidas destiladas, sobretudo de vodca, alcança níveis preocupantes entre as camadas mais pobres da sociedade.
     Segundo especialistas, filhos de pais que consomem álcool em grandes quantidades desenvolvem a chamada síndrome do alcoolismo fetal, que se manifesta em atrasos no crescimento, tendência a ataques epilépticos, anormalidades faciais e problemas de aprendizagem e comportamento.
     Efeitos do Álcool em Fetos
     A maior parte das mulheres consome álcool antes de saber que está grávida. Desta forma, fortalece-se que nem sempre os efeitos da bebida no crescimento e desenvolvimento normal dos fetos são nocivos. Sem dúvida, está claro e comprovado cientificamente que beber de maneira crônica e exceder-se no consumo afeta o crescimento normal dos bebês. A OMS (Organização Mundial de Saúde) tem realizado estudos que demonstram a influência negativa do álcool quando consumido por mulheres durante a gestação. O dano não se apresenta na mulher, mas sim no feto que está se desenvolvendo no útero. Efeitos prejudiciais mais freqüentes no feto:- Malformações: no corpo, nos órgãos internos e, em parte dos sentidos.
     - Síndrome de Down: atraso mental.
     - Deficiências orgânicas: após o nascimento, a criança pode apresentar incapacidade de desenvolvimento normal, dificuldades de aprendizagem, defeitos de caráter, pobreza mental e espiritual.
     - Morte: o excesso de álcool pode causar um aborto.
     Como o álcool afeta o feto?
     Qualquer quantidade de álcool, por menor que seja, pode por em risco o desenvolvimento do feto, produzindo deficiências físicas e mentais. Segundo a Dra. María Luisa Martínez, médica espanhola e conhecedora do tema, as bebidas alcoólicas penetram no feto, através da corrente sangüínea materna. Os danos são produzidos, porque a gestante elimina duas vezes mais rápido o álcool do seu sangue que o bebê, forçando-o a realizar uma tarefa para qual seus órgãos não estão preparados. Martínez sustenta também que o álcool pode criar um déficit no coeficiente intelectual do bebê.
     O que é síndrome fetal do álcool?
     É um grupo de defeitos encontrados no nascimento. Os defeitos são físicos e mentais, resultados do consumo de álcool durante a gravidez. Como citado anteriormente, estes defeitos incluem atraso mental, déficit de crescimento, mau funcionamento do sistema nervoso, anomalias cranianas e desajustes de comportamento. Segundo a OMS, a cada ano, 12.000 bebês no mundo nascem com a síndrome fetal do álcool. Alguns sintomas podem não serem óbvios até que o bebê complete uma idade entre 3 e 4 anos. Em palavras coloquiais, a síndrome pode ser descrita como um “invólucro permanente” para o bebê, seu crescimento é tardio, sua capacidade intelectual está reduzida e apresenta maior risco de morrer durante a infância.
     Existem programas de apoio?
     Os programas de apoio são bastante escassos, as organizações que se encontram vinculadas são, na maior parte, fornecedoras de informações sobre o problema. A OMS realiza estudos onde são diagnosticados os efeitos do álcool nos embriões durante a gravidez. Do mesmo modo, a Organização sobre a Síndrome Fetal do Álcool presta apoio acadêmico para a prevenção do consumo de álcool em gestantes.
     Sem dúvida, não existe nenhuma organização mundial de alcoolismo que preste apoio internacional, a maioria são entidades locais, e, em vários países, não existem.
     Uma só dose traz danos?
     Muitas pessoas crêem que o simples ato de tomar uma taça de vinho, no almoço ou no jantar, pode prejudicar de alguma maneira o embrião. Segundo especialistas, o organismo de cada pessoa é distinto e reage de maneira diferente ao álcool. Algumas mulheres podem - e de fato o fazem - ingerir vinho, em doses apropriadas, para combater o stress da gravidez, para relaxarem ou em ocasiões especiais.
     Segundo o Dr. Luis Alberto Garza, têm importância a história genética da mãe e o comportamento frente ao álcool antes de ficar grávida. Neste sentido, mulheres com antecedentes familiares de alcoolismo e uma história pessoal de excessos, geralmente, apresentam maior risco de causar dano ao feto, sempre, e quando consuma álcool.
     A solução: Educação
     A solução não está em deixar de consumir álcool quando há um conhecimento do risco. Muitas vezes, o dano já foi provocado e não há modo de corrigi-lo. A Dra. Sonia Rincón afirma que muitos obstetras recomendam pequenas doses de álcool para mulheres grávidas como algo que traz benefícios. Isto pode não ser prudente, pois alguns organismos são diferentes de outros e não respondem de maneira igual aos estímulos do álcool.
     Segundo a Organização sobre a Síndrome Fetal do Álcool, cerca de 20% dos nascimentos com defeitos congênitos são devido ao consumo de licor.
     Desta forma, os fatores ambientais podem servir como apoio para que isto não se suceda. O apoio familiar, a companhia, um ambiente de harmonia e a colaboração daqueles que se encontram ao redor da mulher, no decorrer de sua gravidez, são um requisito fundamental para evitar o risco do consumo de álcool. Da mesma forma, o planejamento familiar pode contribuir para que não haja consumo de álcool nas primeiras semanas de gestação.

Em mulheres, o uso de álcool está associado de forma positiva com a redução dos riscos de doenças coronarianas

Os estudos prospectivos (estudos que acompanham a amostra ao longo do tempo) em geral apontam para um risco reduzido de doença coronariana em indivíduos que fazem uso moderado de álcool quando comparados aos abstêmios.
     Os resultados obtidos nesses estudos também indicam que o padrão de consumo é importante nessa relação, de tal forma que o uso freqüente e regular de álcool é mais benéfico do que o uso de álcool no padrão “binge”. Contudo, as diferenças da associação entre o uso de álcool, doença coronariana e sexo permanecem desconhecidas.
     Os autores acompanharam por 5,7 anos uma amostra de 28.448 mulheres e 25.052 homens que não haviam manifestado doença cardiovascular até o início do estudo. Durante esse período, buscou avaliar a incidência de doença coronariana, os hábitos alimentares, prática de exercícios, tabagismo e uso de álcool.
     O consumo de álcool foi dividido nas seguintes categorias: abstêmios, uso de álcool menos de 1 vez por mês, 1-3 vezes por mês, 1 vez por semana, 2-4 vezes por semana, 5-6 vezes por semana e diariamente.
     Durante o período de vigência do estudo, 749 mulheres e 1283 homens desenvolveram doença coronariana. Constatou-se que a freqüência de álcool ingerido esteve associada de maneira inversa com a manifestação de doença coronariana tanto em homens quanto em mulheres.
     Entre as mulheres, a ingestão de álcool na freqüência “ao menos 1 dia por semana” esteve associada com menor risco de manifestação dessa doença em comparação às mulheres que fizeram uso menos freqüente. Esses achados podem ser explicados por diversos motivos: ação do álcool sobre o HDL (colesterol bom), redução na agregação plaquetária e ação estimulante do álcool sobre os níveis do hormônio feminino estrógeno (hormônio que apresenta ação protetora do coração). 
     Os autores concluíram que a freqüência de consumo de álcool pareceu ser o grande determinante da associação inversa entre a ingestão de álcool e doença coronariana entre homens. Para as mulheres, a quantidade de álcool ingerido foi mais determinante do que a freqüência.

Elas preferem destilados

Para evitar a temida barriguinha de chope, muitas mulheres acreditam ter encontrado uma alternativa para se manter animadas nas baladas noturnas, sem perder a forma. Elas trocaram as cervejas pelas bebidas destiladas.
     Apesar de mais calóricos do que os fermentados – 100 ml de vodca tem 76 kcal a mais do que uma lata de cerveja (350 ml) –, esses drinques têm alguns trunfos, na opinião dessas consumidoras.
     Eles se transformam em opções saborosas quando misturados com frutas e energéticos, são tidos como mais elegantes e cumprem sua função de forma mais rápida. As mulheres ficam "alegrinhas" com apenas algumas doses, sem precisar de litros de cerveja para se divertir.
     Os destilados caíram tanto no gosto das garotas que a tendência já virou estatística. De acordo com levantamento da Diageo, uma das maiores importadoras de bebidas alcoólicas em atividade no País, nos últimos cinco anos o consumo de vodca triplicou entre as brasileiras de 25 a 34 anos, que já respondem por 50% dos usuários.
     Em quatro anos, o de uísque aumentou 20% entre elas. Bebidas como tequila, gim, rum e cachaça também registram uma forte presença feminina. Do total de consumidores de uma das marcas de cachaça mais populares no País em 2007, 35% são mulheres – este número era de 15% em 2004.
     A participação feminina no mercado de bebidas destiladas é tão intensa que as embalagens já refletem a tendência. "As principais marcas de uísque já contratam profissionais de design da indústria de cosméticos e perfumaria, que conseguem um apelo de luxo e beleza que agrada às mulheres", afirma Eduardo Bendzius, diretor de marketing da Diageo.
     "É mais elegante uma mulher com um drinque na mão do que com uma lata de cerveja, que é coisa de homem", acredita Karina Araújo, 18 anos, que é tão apaixonada por vodca, uísque, gim e tequila que chegou a fazer um curso de coquetelaria para aprender a fazer drinques. A estudante de relações públicas carioca Roberta Canito, 23, concorda.
     "Cerveja dá sono, fome e deixa a barriga estufada. Os destilados deixam a mulher leve, animada e são mais estilosos", considera.
     A sensação de estufamento não é mito. Como as bebidas fermentadas têm um teor alcoólico menor e são mais diuréticas, geralmente são consumidas em maior quantidade do que as destiladas. "Ninguém fica em um único chope.
     O uso contínuo de cerveja numa noite leva a pessoa a ter mais vontade de ir ao banheiro. Depois, ela volta e bebe tudo de novo", avalia a nutricionista Michelle De Simone. O consumo mais intenso leva ao acúmulo de gordura na área abdominal, atesta a especialista.
     NA BALADA Jovens como Roberta, Paloma e Adriana caem na noite ancoradas por drinques convidativos
     Outro fator que eleva a cerveja ao cargo da grande vilã da balança entre as mulheres é a presença constante dos petiscos consumidos com a bebida. "Cerveja sempre pede um tira-gosto. Já os destilados não combinam com comida e ainda dá para substituir o açúcar pelo adoçante", comenta a publicitária Adriana Araújo, 27 anos.
     Mas isso não ajuda em nada. "Além de fazer mal à saúde, a pessoa engorda quando ingere uma grande quantidade de vodca ou uísque. É o mesmo que comer uma macarronada", alerta Michelle.
     O crescimento do consumo entre as mulheres se insere nas estatísticas de aumento de casos de alcoolismo entre adolescentes, que vêem os adultos como modelo. Dados da Secretaria Nacional Antidrogas revelam que, em média, os adolescentes começam a beber aos 13 anos.
     O consumo de bebidas alcoólicas aumentou 30% em cinco anos na faixa etária entre 12 e 17 anos. No grupo entre 18 e 24 anos, o crescimento foi de 25%.
     No entanto, o uísque e a vodca ainda têm uma penetração menor entre os adolescentes (12%), em comparação à cerveja (56%). Como os drinques são mais caros, os jovens preferem as cervejas. "Mas o efeito do destilado dura mais tempo.
     Com duas caipiroskas a gente consegue curtir até o fim da noite sem exagerar", acredita Paloma Guedes, 26. Apesar dessa onda feminina, especialistas são categóricos: destilados e fermentados engordam. E, pior, em excesso, podem produzir efeitos desastrosos. E nada glamourosos.

Diferenças entre homens e mulheres

O Abuso e a dependência do álcool, por muito tempo, foram considerados um importante tema em termos de saúde pública e na medicina devido a sua alta prevalência e efeitos devastadores no indivíduo, família e sociedade.
     Ademais, o álcool também é uma das principais causas conhecidas de mortalidade precoce e fator de risco para doenças crônicas. Os transtornos relacionados ao uso do álcool, como abuso e dependência, no entanto, constituem somente uma pequena parcela dos problemas decorrentes do álcool.
     Um corpo crescente de evidências epidemiológicas tem demonstrado, de modo consistente, que o “beber pesado episódico” está associado a uma gama significativa de situações adversas tais como: danos à saúde física, comportamento sexual de risco, gravidez indesejada, infarto agudo do miocárdio, overdose alcoólica, quedas, violência (incluindo brigas, violência doméstica e homicídios), acidentes de trânsito, problemas psicossociais (ex. na família e trabalho), comportamento anti-social e dificuldades escolares, tanto em jovens como na população em geral.
     Além disto, o “beber pesado episódico” está associado a um aumento da mortalidade por todas as causas de doenças cardíacas e está relacionado a um risco maior para transtornos psiquiátricos, câncer e doenças gastrointestinais.
     Informações gerais sobre o estudo
     Diante desse panorama, os autores avaliaram o padrão de beber pesado episódico no banco de dados do projeto São Paulo-ECA (São Paulo Epidemiologic Catchment Area Study), realizado na área de captação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
     Definição de beber pesado
     Beber pesado, também considerado “Binge Drinking” por muitos autores, é definido como o consumo de 5 ou mais doses de bebidas alcoólicas em uma única ocasião por homens, ou 4 ou mais doses de bebidas alcoólicas consumidas em uma única ocasião por mulheres. 
     Amostra avaliada
     Foram estudadas 1.464 pessoas residentes dos bairros de Vila Madalena e Jardim América. Objetivos do estudo: Foi o primeiro estudo brasileiro em uma amostra de adultos, utilizando o critério de 5+/4+ doses de álcool consumidas em uma ocasião, a partir de uma entrevista psiquiátrica utilizada pela Organização Mundial de Saúde em diversos países.
     Resultados do Estudo
     - O beber pesado se mostrou um padrão de consumo comum nesta amostra de adultos de São Paulo. 10.7% da amostra faz uso pesado do álcool, sendo 15.4% em homens e 7.2% em mulheres.
     - Entre os bebedores pesados, 2 homens para cada mulher bebem neste padrão. Esta proporção é menor do que a encontrada nos EUA, que é de 3 homens para cada mulher. Uma possível explicação para este achado vem do fato de que as mulheres provenientes destes 2 bairros diferenciados de São Paulo apresentam uma maior aceitação cultural do uso pesado do álcool e estão, portanto, mais expostas a acidentes em geral, acidentes de trânsito, contato sexual de risco, gravidez, prejuízos ao feto.
     - Mulheres entre 18 e 44 anos de idade e aquelas que não eram casadas, ou seja, separadas, divorciadas, viúvas ou solteiras, foram as que mais fizeram uso do álcool neste padrão.
     - Mulheres donas de casa e aposentadas foram as que menos beberam neste padrão, ou seja, são as mais protegidas aos danos relacionados ao beber pesado.
     - Entre os homens, o risco de beber pesado esteve aumentado para aqueles entre 18 e 24 anos de idade (1 a cada 3 homens nesta faixa etária bebe neste padrão).
     - Entre os homens, o beber pesado se concentrou entre os mais jovens (18 a 24 anos), os quais se mostraram mais expostos a riscos (violência, acidentes de trânsito, faltas ao trabalho). Além disto, as maiores taxas de beber pesado em homens foram observadas entre os homens que nunca se casaram (2.3 vezes mais do que os casados), estudantes (23.3%) e de baixa renda (2 vezes mais do que em indivíduos de alta renda).
     - 42% dos homens que fazem uso pesado começaram a beber antes dos 18 anos
     - A maior parte dos bebedores pesados eram dependentes do tabaco – 21.7% homens e 25.3% mulheres.

Dieta contra o Alcoolismo

  Os indivíduos com problemas de alcoolismo, passam por um processo de perda de nutrientes fundamentais para a manutenção da boa saúde, em parte pela perda de apetite e má alimentação decorrente do processo de dependência química da bebida.
     Os médicos e parentes que estejam acompanhando o tratamento dos alcoólatras devem ficar atentos para que os dependentes do álcool não deixem de se alimentar, pois isso deixará o corpo mais fraco e vulnerável.
     Estudos feitos por cientistas americanos demonstram que um acompanhamento nutricional adequado pode ajudar a combater doenças decorrentes do alcoolismo como a cirrose.
     Mas é importante que paralelo a isso ocorra a suspensão do consumo de álcool, para permitir a melhoria das funções hepáticas, que ocorrem principalmente nos casos menos avançados da doença.