Em duas pesquisas feitas pelo enfermeiro Carlos Eduardo Fabbri, os dados assustam. Na primeira, que foi tese de mestrado na Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, 21,1% das 450 gestantes entrevistadas consumiam quantidades iguais ou superiores a 28 g diários de álcool, o equivalente a duas latas de cerveja.
No segundo estudo de Fabbri, feito em Guariba, interior de São Paulo, 42% das grávidas superavam as duas doses de álcool por dia. Segundo a psiquiatra Ana Cecília Marques, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas, a medicina não pode assegurar uma dose mínima para as gestantes, pois os estudos sobre o efeito do álcool no bebê não apontam tal precisão.
"O que se sabe é que o álcool consumido em excesso de forma contínua por gestantes é capaz de induzir más-formações e retardo mental no feto
e causar a Síndrome Fetal Alcoólica, que, além de más-formações, provoca alterações principalmente faciais, retardo de crescimento e de maturação psicomotora e desenvolvimento intelectual diminuído . A cada ano, 12 mil bebês no mundo nascem com esse problema", diz ela.