Reportagem publicada na Folha de S. Paulo na segunda-feira (4/09), de autoria da jornalista Cláudia Collucci, dá conta de que o número de mulheres dependentes do álcool, que procuram tratamento, cresceu 78% nos últimos três anos no Estado de São Paulo.
Os especialistas têm uma explicação unânime para esse comportamento: a mudança do estilo de vida da mulher, que a deixa sobrecarregada de trabalho e estressada. Mas o fenômeno preocupa: a mulher é mais vulnerável ao álcool e tem problemas mais cedo; e a indústria de bebida tem investido em propagandas para elas.
Levantamento da Secretaria da Saúde indica que o número de mulheres socorridas nos Centros de Atenção Psicossocial passou de 17.816 , em 2004, para 31.674, no ano passado.
Luiezemir Lago, do Centro de Referência de Álcool, diz que a oferta de serviços especializados, sem internação, mas ambulatorial, estimulou as mulheres a buscar ajuda.
João Carlos Dias, da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, explica que a mulher ganhou o bônus da independência, por sua maior inserção no mercado de trabalho, mas também está arcando com o ônus.
Sérgio Ramos, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas, explica que a maior incidência se deve ao fato de os efeitos do álcool nos fígados dos homens manifestarem-se em 15 anos e, nos das mulheres, em apenas cinco anos.
A reportagem também apurou que as mulheres estão bebendo cerveja na mesma freqüência que os homens. Tanto é que a indústria de bebidas já vem produzindo propagandas dirigidas exclusivamente ao público feminino.
A Ambev acaba de lançar uma cerveja (Porto) voltada para as mulheres – o que, para Sérgio Ramos, da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas, revela uma mesma preocupação: "Estão querendo agora ampliar o mercado em direção às mulheres jovens. E fazem propaganda enganosa. Mulher que bebe freqüentemente engorda, tem barriga, não tem a exuberância da TV".