Duas amigas freqüentadoras de bares de Rio Claro acreditam que o empate é conseqüência da evolução social
A revolução sexual, fortalecida a partir da década de 60 com a ampliação do papel feminino na sociedade, acaba de estabelecer um novo quesito de igualdade entre homens e mulheres, pelo menos no estado de São Paulo: o consumo de bebidas alcoólicas.
Segundo pesquisa da Secretaria Nacional Antidrogas e da Universidade Federal de São Paulo, divulgada na última semana mostram que não há diferença estatística no consumo de cerveja entre os gêneros: 62% dos homens e 58% das mulheres consomem o produto. A pesquisa ouviu 3.007 pessoas.
Freqüentadoras assíduas de barzinhos de Rio Claro, as amigas Clarice, 21 anos, e Virgínia, 22 anos, acreditam que a igualdade no consumo é apenas mais uma conseqüência na igualdade de direitos entre homens e mulheres: "Na época das nossas avós, trabalhar era um ato de rebeldia.
Na época das nossas mães, beber era um escândalo, mas já era normal trabalhar. Então tudo é uma questão de evolução social", explica Virgínia.
Sobre a pesquisa, elas são categóricas: "Não traz nada novo. Só confirma o que todo mundo sabe há muito tempo". Ambas solicitaram ao jornal que seus nomes fossem substituídos por fictícios, mas Clarice explica com bom humor o porquê: "Pra gente é normal beber, mas para nossas mães não, né?".
Ela afirma que às vezes consome mais cerveja que seus amigos, mas que toma cuidado com os exagero: "Ficar bêbada demais e sair tropeçando é desnecessário, além de vexaminoso", explica.
A pesquisa paulista mostra que entre os adolescentes, as garotas também não perdem para os rapazes - 53% dos rapazes declararam tomar cerveja, contra 50% das meninas.
As duas não negam que começaram a beber cedo, por volta dos 14 anos, idade em que o consumo é proibido: "Faz parte da iniciação adolescente, é só mais um elemento dessa fase da vida. Infelizmente alguns exageram ou passam a consumir outras coisas em excesso", opina Clarice.
A igualdade ente os gêneros também atingiu os dependentes do álcool. Há vinte anos havia uma mulher dependente para cada 10 homens. Hoje há uma mulher alcoólatra para cada três homens com o mesmo problema.
Nos últimos três anos houve um aumento de 78% no número de mulheres paulistas que procuraram tratamento em unidades públicas de saúde, segundo o estudo.
As diretrizes do Ministério da Saúde para a questão da dependência do álcool incluem, entre outras, a redução do consumo global e pessoal; mudança no padrão do uso nocivo entre jovens, onde o consumo excessivo contribui para situações de sexo desprotegido, acidentes de trânsito, além de ampliar as chances do desenvolvimento de dependência e outros danos à saúde.